Reportagens

Ricos, famosos e conscientes

Cameron Diaz, que estréia programa de viagens na MTV americana, faz parte de uma nova geração de celebridades engajadas em promover as causas ambientais.

Ana Antunes·
17 de março de 2005·19 anos atrás

Se é verdade que Hollywood dita o que será moda ao redor do mundo, a onda agora é ser ambientalista. O número de celebridades engajadas na preservação ambiental aumenta a cada dia. Cameron Diaz, uma das mais bem pagas atrizes da nova geração, por exemplo, vai estrelar um reality show na MTV americana que, segundo o vice-presidente executivo da emissora, Lois Curren, “visa informar e educar os telespectadores para que eles reinvistam no nosso mundo”.

O programa Trippin’ estréia nos Estados Unidos no dia 28 de março, em horário nobre. Além de ser a apresentadora, Cameron Diaz também produziu os dez episódios nos quais ela e uma turma de amigos famosos visitam “incríveis locações”. A equipe passou por lugares como a Patagônia argentina, o Deserto do Atacama, no Chile, o Nepal, a Costa Rica e o Parque de Yellowstone, nos Estados Unidos.

Não é de hoje que a atriz dos filmes “Quem vai ficar com Mary?” e “As Panteras” milita em causas ambientais. Cameron Diaz é membro da Associação de Mídia Ambiental (EMA, na sigla em inglês), uma ong dedicada a propagar os temas da preservação ambiental pelos meios de comunicação. Diaz empresta sua imagem pública para diversas campanhas. Entre elas a Actgreen, na qual defende, ao lado da atriz Gwyneth Paltrow, a redução de consumo de petróleo e de energia.

Outro que faz parte da EMA e também tem um programa de televisão pronto para entrar no ar é Edward Norton. O protagonista do filme “Clube da Luta” vai narrar a série Strange days on Planet Earth. Produzido pela National Geographic e pelo canal estatal PBS, o programa vai abordar os mistérios da transformação global e discutir como escolhas individuais podem afetar toda a humanidade. Norton é membro do conselho diretor da Fundação Enterprise, que investe no “desenvolvimento comunitário” em áreas carentes. Um dos projetos da fundação patrocina a instalação de um sistema de energia solar em casas de baixa renda toda vez que uma celebridade instalar um na sua.

Exemplos assim colocam astros e estrelas no panteão dos defensores da humanidade. A revista americana Organic Style publicou, em novembro de 2004, uma lista com as 50 pessoas que mais contribuem para a melhoria da qualidade de vida no mundo. Além de Edward Norton (34°) e Cameron Diaz (49ª), outros dois jovens astros de Hollywood aparecem na lista: Angelina Jolie (41ª) e Leonardo DiCaprio (42ª).

O namorado de Gisele Bündchen criou uma fundação que leva seu nome, para promover a educação ambiental em comunidades de baixa renda. Além disso, quer estimular a juventude norte-americana a vigiar o que tem sido feito contra ou a favor do meio ambiente em seu país. No “eco-site” da Fundação Leonardo DiCaprio sobram críticas para a política ambiental do governo Bush e alertas sobre as conseqüências do aquecimento global.

DiCaprio chegou à cerimônia de entrega do Oscar deste ano dirigindo um carro híbrido. Esta é a estratégia da campanha Red Carpet – Green Star, idealizada pela ong Global Green para divulgar os combustíveis alternativos. Desde 2002, vários artistas deixam suas luxuosas e poluentes limusines em casa e dirigem carros híbridos para a premiação.

Já Angelina Jolie, enquanto gravava “Lara Croft: Tomb Raider”, em 2000, apaixonou-se pelo Camboja, local das filmagens, a tal ponto que decidiu adotar uma criança e doar 1,3 milhão de dólares para a criação de um santuário da vida selvagem no nordeste do pais.

Cantores e grupos musicais também fazem parte da Associação de Mídia Ambiental. A banda inglesa R.E.M lidera uma campanha a favor da redução de consumo de papel e incentivo à compra de produtos “tree free”, ou seja, feitos de papel reciclado ou com fibras alternativas.

Até mesmo 007 entendeu que os tempos são outros e que a ameaça, agora, é verde. Pierce Brosnan, ator que interpretou o agente inglês nos últimos quatro filmes da série, lidera uma campanha pela proteção das baleias e da vida marinha, e participar de dezenas de outros projetos sociais e ambientais.

No Brasil, a participação da classe artística em causas ecológicas é bem menor. Não se sabe se isso decorre da falta de engajamento e conscientização das celebridades ou do próprio movimento ambientalista nacional, que não consegue causar grandes mobilizações.

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